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O tal do Google +

agosto 12, 2011

Confira o artigo de Marcus Yabe, coordenador de inteligência e mídias sociais da MITI Inteligência

O Google tem chances no mundo das redes sociais?

Depois dos fracassos históricos do Buzz e do Wave, o Google perdeu o terreno do Orkut para o Facebook. Para reverter essa história, lançou, no último mês, o Google+.

“Gigante pela própria natureza”, o Google nem sempre acerta quando o assunto é lançar uma rede social. Mas, para essa nova empreitada, o pessoal do Mountain View mergulhou em uma aula de antropologia cultural e psicologia do relacionamento gerando uma plataforma sofisticada que poderá ser sucesso em outros países.

É provável que o brasileiro não se acostume com o conceito usado na construção de suas redes de relacionamentos virtuais, pois o costume nacional é a angariação do maior número de pessoas, mesmo que não haja interação. Faz parte da etiqueta brasileira a disputa pelo maior número de seguidores, fãs e amigos.

O Google+ propõe algo diferente. A própria justificativa no site da rede é intelectualizada e foge do padrão de outras redes sociais. É visível a ideia de criar um ambiente no qual as relações humanas do mundo offline sejam reproduzidas com particular similaridade no mundo virtual. O Google precisa ter sucesso com uma plataforma que forneça – como o Facebook – um mapa com diversos padrões de comportamento e relações interpessoais para avançar o seu sistema de publicidade, tornando-o mais assertivo e segmentado.

Por mais sofisticado que seja o discurso de lançamento da rede, a empresa repetiu um comportamento já visto nos lançamentos do Wave, do Buzz, do Latitude e de outras ferramentas.

Inicialmente, a plataforma ficou restrita (até 31 de Julho) a convites. A questão que surge é: como uma empresa do tamanho do Google não consegue lançar uma plataforma para utilização imediata? No lançamento do Wave, a empresa optou por deixar a rede de forma restrita por um longo tempo. Quando todos puderam acessá-la, já não havia mais interesse, além de não conseguirem entender o seu funcionamento.

Sites especializados trazem queixas de usuários que tiveram seus perfis apagados por utilizarem pseudônimos. O Google responde que se trata de uma exigência, pois a ideia de perfil está atrelada ao conceito de página pública, facilitando pessoas a se conectarem e encontrarem uns aos outros como no mundo real. Olhando para o passado das mídias sociais, sabemos o quanto custa para as empresas uma atitude que pareça “intransigente”. O Google não entendeu é que os usuários são os reais modeladores de uma rede social.

Mas tudo isso não quer dizer nada, se o Google liberar os desenvolvedores de todo o mundo para criarem aplicativos. O Google+ provavelmente alcançará o sucesso quando for uma plataforma aberta, pois são as temáticas específicas de cada aplicativo que ajudam o seu rival, Facebook, na dinâmica com os usuários, das quais refletem o momento de cada grupo ou até mesmo o momento de um país.  Hoje, o Facebook não tem mais domínio da sua membrana temática. Ele é o que os usuários desejam nele acrescentar e representar.

Tecnologicamente, a plataforma é composta de atrativos similares aos de suas concorrentes, mas, para segurar os usuários entretidos, terão que acompanhar a dinâmica da rede construída por eles próprios. Por isso, especula-se que, em breve, o Google+ contará com um sistema de jogos.

Devagar, com visual mal acabado e apresentando um baixo volume de conteúdo divulgado, a nova plataforma do Google lembra uma balada que abriu sem terminar as obras para tentar marcar terreno. Talvez, em breve, as pessoas vão se divertir e deixarão de dançar em seus quadrados para se acabarem em círculos.

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